sábado, 27 de junho de 2009

(bilhete dois, marsial)

tempo bom para os bons amigo. é isso que percebo enquanto olho pela vidraça a chuva que aos poucos começa a cessar... tem muita pseudo felicidade por ai, muita mancha de sangue escondida em baixo do lençol de casais apaixonados. ...e eu permaneço quieta, serena, vendo meus dias preenchidos de cores e nuvens de crepon. [confesso: aprendendo a ser um pouco egoísta, como quase todos.] Muita coisa boa vindo por ai, vejo pela estrada... se cuida e se proteja, te quero sempre bem. abraços inteiros thane.

sábado, 20 de junho de 2009

(das coisas imóveis)

Acordei espalhada em pedaços pela cama.
Quis chorar.
Levantei, fui até o banheiro,
com as mãos sobre a pia olhei meu rosto marcado.
O lápis borrado, a cara borrada, o peito borrado,
Desmanchei... virei àgua borrada.
Àgua é difícil juntar e colocar num pote.
Passei um pano em mim.
Me olhei de novo no espelho
me sinto suja aos vinte e um,
me sinto suja nesse sábado, nesse corpo.
Quando eu era pequena e recriminava minhas atitudes
eu me batia na cara,
eu me batia na cara.
Quis me bater na cara por estar tão assim, imóvel.
(o velho clichê de ver a vida passar)
chorei.
chorei e lembrei das palavras de um amigo:
"quando você chora, pense que pode ser por outra coisa..."
Não amigo, hoje não pode ser por outra coisa.
Minha imobilidade me consome.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

(vontade de enfiar esse lápis no peito)

nessa tarde de quarta me acho meio perdida no corredor "vontade de enfiar esse lápis no peito" ela disse! eu aqui pensando: "Pare de escrever besteira e vá ler um livro menina" Lembro de uma carta de Caio Fernando... colo aqui pra me guiar um pouco. porque sim, ando, ainda, perdida! Trecho de Carta ao Zézim - Caio Fernando Abreu Porto, 22 de dezembro de 1979 (...) Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tUdo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem. Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida. Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud. É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na CultUra, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano. Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente. E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente. Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido. Pausa. (...) E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: "Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade". Um beijo do Caio (....)

(aqui dentro, só eu sei)

ando numa urgência de cores, assustadora! muita coisa acontecendo dentro da chuva, (e nada de arco iris indicando algum caminho.) então a gente segue o vento... uma voltinha ao menos!

terça-feira, 16 de junho de 2009

(carta cinco; para ludy querida)

oi princesa, é dia quinze de junho, dia de pagar a C&A, dia de querer pular o dia 19, dia de parar o relógio e escrever pra ti, desligo o som. Demorei pra digerir o texto que me escreveu ontem, me deu uma daquelas pontadas, punho pulsando... sabe?! Li e olhei pro meu reflexo na tela fria do pc, quis ver uma mulher de 32 anos, 64kg, marido e filho esperando em casa, olhando os emails e te convidando pra um cinema. Mas parece mesmo difícil me imaginar daqui 10 anos, vi foi um pedaço de mim escrito ali, vi foi meus últimos 3 anos. Parece mesmo que tentei achar o vaso que devo ter te enterrado esse tempo todo... Olha, eu não sei bem o porque das tentativas frustradas de te escrever Eram tantas... lembro da tua letra sabia?! lembro da tua letra e da cabeleira vermelha (vontade de te deitar no meu colo e passar os dedos no seu cabelo...) Lembro e penso que te lembrando assim, miúda... que talvez a distancia se explique com esse medo de te quebrar, (meio mãe aos quinze segurando o bebe no colo) tenho medo de estragar o que lembro da gente. E sim, mudei meu numero umas duas ou três vezes depois desse daí. Nos perdemos no escaninho da acs. quer saber, ta tudo ferrado amiga, tive que jogar fora todas as letras de todo mundo... - palavra falada se perde no ar, no tempo... é muito mundo pra elas. Já as escritas não, elas se agonizam dentro do tempo e das caixas empoeiradas nos fundos dos guardas roupas das gentes todas. e eu não podia mais ficar ali, sufocando, olhos marejados, esfregando o nariz, o peito... Me entreguei ao passar das coisas Ludy... (e não me dei o direito de comprar um gravador) Radical que sou, rasguei tudo, recolhi as letras sangrando no chão e enfiei num saco preto. Joguei pro lixeiro levar... Eu acredito que você tenha tudo guardado, mas talvez essa tenha sido minha maneira de te enterrar num vaso, te fortalecer, você e todos os outros tantos queridos, tão queridos... O que não me impede de te escrever, de te visitar, de te querer bem... me impede só de ficar perdida lá atrás... acho que quando lia vocês, lia também um pouco do que perdi de mim, (bah, não abro mão desse clichê.) sinto sua falta. bebo um café, observo meus potinhos, um de botões, um de alfinetes e outro de "canudos" de cigarro de palha. Acho que te cabe ali, acho que te cabe comigo amiga, é, me liga porque acabei de descobrir que te cabe comigo, que te cabe na minha semana, na minha casa, no meu strogonoff de domingo, no meu relógio engraçado... vamos passear um pouco! dez minutos de carinho no cabelo até ps.: a lua ta bonita hoje. oito oito dois seis - sete sete três zero

sábado, 13 de junho de 2009

(doze do seis)

eram nove e trinta e cinco; e eu nunca sei, supermecado fecha às 22hs né colega? quanto custa? okay! umas velas... uns bilhetes. o cd funcionou acredita?! a porta trancada. 30 segundos pra apertar o play. PLAY! _shhhh, você estragou a surpresa, desliga a luz e finge que não me viu. .ta bom, nem de dia dos namorados eu gosto, confesso: me esforcei para ser como os outros. mas sabe né... te amo sou sua!

bilhete um!

mãe, você precisa vir me visitar... conhecer minha torradeira nova, sei la...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

(tem muito RABISCO por aqui...)

hoje são meia noite e doze, vontade de trocar o velho caderno amarelo por folhas brancas, brancas e enormes. Agenda vazia, casa vazia, um livros marcados e umas pontas de cigarro. segredo: só limpo a casa pra poder andar tranquila de meia. talvez eu procure um emprego (ou talvez espere ele cair em cima da minha cabeça) .Preciso ler mais .Preciso lavar meus tênis de molho à uma semana. (cores realmente se misturam? ...esquece) dor de dente pra fugir do dia... Preciso dormir menos e parar com essa agonia (não, nem de rima eu gosto... agonia mesmo entende gata?) Talvez visite minha mãe... Hoje não sai de casa, mentira, é que meu ultimo cigarro caiu da janela... (andei pensando em coisas que caem das janelas... quantas coisas, quantas janelas meu deus) Porque é que tudo parece tão desesperadamente frágil aqui do lado?! Fico com medo do caixote cair e estragar sua têvê. Hoje fiquei olhando fixamente pra ele e pra têve, caixote tevê, caixote, tevê... as vezes acho que você gosta mais dela do que de mim... mas só as vezes... O que tenho feito é escovar os dentes e arrumar a cama. Arrumo que é pra ver se parece tudo mais limpinho, no lugar... E sobre os dentes, talvez seja pra sentir mais preparada pra qualquer coisa a qualquer momento. ai, tem muito RABISCO por aqui...

(já te disse menina...)

eu não sei bem, só senti o cheiro e olhei para o lado, mas foi o movimento brusco que fez com que o café caísse sobre o bilhete. te disse menina, não se escreve em guardanapos!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

(são meia noite e trinta e quatro!)

o cara da rádio falou, quinze graus;
hoje quis comprar um torradeira
o cara da loja falou, trinta e quatro reais
eu não tenho trinta e quatro reais
tenho um pote de botões, serve?!
Talvez eu troque minhas miúdezas por uma madrugada acordada.
Acordei às sete e trinta e cinco, assustei.
A àgua do filtro tem permanecido fria por esses dias
arrumei o quarto, quero espaço
Calma, cabe você!
Cabe você em todo lugar da minha vida.
quando digo que te amo, que te amo e que te amo,
não minto, não mais
acredita em mim?!
Acredito em nós, na torradeira e nos botões.
te amo assim, desesperadamente calma, fico leve contigo.
(nossa aliança tá rachada, bah, deixa pra lá)
bodas de purpurina, rs. obrigada por esse um ano.
Te espero, chega logo
são meia noite e trinta e quatro!
Hoje eu tive um dia triste, só isso...
Vem que meu pé ta gelado.
Vem que hoje eu tive um dia triste e meu pé tá gelado...
(e sei que se eu te abraçar esqueço do resto)
beijo no ombro
a sua. 04do06 - 00h34min

quarta-feira, 3 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

(dos silêncios todos...)

Vai, não me olha assim como quem fala com uma atendente de supermercado.
Olha, diferente de outros dias, hoje quis te olhar nos olhos... Gosto das tuas covas sabia?! Sabe, sei que sabe, sei que sabe de tudo que gosto, tudo que guaRdo...
Para, para de falar esse tanto de coisas. Prefiro teu silêncio.
Vem, me abraça...
me abraça e diz que hoje você não tem pra onde fugir daquelas velhas histórias irritantes...